sexta-feira, 24 de julho de 2009

O artista que desenha incríveis retratos com as duas mãos

Xiaonan já está ficando famoso na internet. O rapaz de 20 anos diz no seu canal do Youtube que gosta de pensar na sua arte não apenas como produto final, mas todo o processo de criação, o que é muitas vezes perdida por muitos artistas. Por esse motivo, os vídeos em time lapse são um bom caminho para capturar esse processo.

Stop Motion de uma vida

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O POVOADO DOS MOINHOS ( Village of the Watermills)


No último conto de "SONHOS" (Akira Kurosawa), um viajante chega a uma pequena aldeia, e conversa com um velho habitante. Choca-se com o fato de a aldeia não possuir energia elétrica. "Mas a noite é tão escura", ele observa. "Sim, a noite tem de ser assim. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Eu não gostaria de não conseguir ver as estrelas à noite". E prossegue: "Hoje em dia, as pessoas se esquecem de que elas são só uma parte da natureza. Destroem a natureza, da qual nossa vida depende".


Fotos do Eclipe Solar (Agradecimentos ao Marcus Brum)





quarta-feira, 22 de julho de 2009

O fascínio da maldade

Por Aydano André Motta - 20.7.2009

Na ficção do cabo, o doutor Gregory House espezinha subordinados, despreza pacientes, tortura amigos e inferniza chefes - gênio! Na vida real dos famosos, Romário cativa o mundo além dos campos onde reinou como artilheiro, com frases ferinas, punhais falados, recebidos com euforia de golaço pelo distinto público - rei! Luana Piovani esculacha com quem lhe cruza o caminho, desdenha dos bajuladores, olha o mundo lá de cima do púlpito da loura conceitual - linda! Em comum entre eles, muito acima de bem e mal, um traço dos nossos tempos: o fascínio pela maldade. Não se enganem: os humanos adoramos os malvados.

E, claro, não temos a menor paciência para os bonzinhos. Como são aborrecidos, aguados, um tédio, os do bem. Personagens pobres, vivem na monotonia de suas convicções, seguem na certeza inabalável de seus valores, gente mais desenxabida! Retos, coerentes, serenos, gentis, engajados, quem os aguenta? Muito melhor saborear a ironia rascante, divertir-se com o ataque contundente, deixar-se seduzir pela hostilidade charmosa. Só o alvo reclama, mas com ele, em geral, ninguém se importa.

O encanto do doutor House tem como alicerce a perversidade cotidiana, que tempera a genialidade surpreendente dos diagnósticos. As mulheres se apaixonam, os homens invejam aquele mau humor, aquela sem-cerimônia no trato com os outros humanos. Irresistível. O médico que não liga a mínima para a tragédia do paciente, por interessado apenas em descobrir a doença, enfeitiça todos à sua volta - aí incluídos os milhões de fãs mundo afora, no seriado mais assistido da Terra.

As cores fortes típicas da ficção são totalmente baseadas em fatos reais, como prova a trajetória de Romário. Quem não aplaudiu pérolas como "Pelé calado é um poeta", "Todo mundo está feliz - o rei, o príncipe e o bobo" e, mais do que qualquer outra, "Entrou no ônibus agora, já quer viajar na janela"? A marra de quem olha o mundo do alto (apesar dos 1,69m) e tem alergia à diplomacia poderia ferir suscetibilidades aqui e ali. Que nada. Rigorosamente todo mundo acha o estilo do ex-artilheiro simplesmente o máximo.

Agora, no bafafá em torno do calote na pensão da ex-patroa (ou dos filhos, reza o sofisma esfarrapado), ainda deu para a turba festejar a sedução aos companheiros de cela, na noite atravessada na cadeia emergente. Romário é esperto, Romário é bom mesmo, Romário é pegador, prega a voz das ruas. Quis o destino que o evento carcerário fosse na semana dos 20 anos da Copa de América de 1989, o primeiro título da seleção desde 1970, motivo para se voltar a outro craque, Bebeto, a metade coadjuvante do ataque que, na História, tem o Baixinho escalado como protagonista.

O baiano, coitado, não tem perdão: a simples menção a seu nome provoca aquela contração no rosto, tradução facial do "chatinho ele, né?" Vacilante nas declarações (como jamais foi em campo), afável, hospitaleiro e disponível, Bebeto tem mesmo o sabor de um sanduíche de ricota. E só por isso, ninguém o atura. Jogo jogado.

Pois a trapaça da sorte vem agora: o "esperto", o "bom mesmo", o "pegador" vive sua história de bandido, vendo o sol da Barra nascer quadrado, e, endividado, ainda está metido numa pirâmide própria dos otários, que levou alguns de seus milhões. O "sem graça" cruza a meia idade em paz, casado com a (bela) mulher de sempre, os filhos quase criados, a vida nos eixos.

Não adianta. A admiração humana ignora a lógica. Mesmo na tragédia do império da violência que aprisiona as comunidades populares, patricinhas pobres, ricas e remediadas desmancham-se em paixão pelos déspotas do tráfico, tiranos de ocasião que reinam à razão dos fuzis. Os casos enfileiram-se na crônica policial.

Como no cinema. Responda sinceramente: Darth Vader ou Luke Skywalker? Hannibal Lecter ou Clarice Starling (diga a verdade, você aí sequer lembrava o nome dela)? Norman Bates ou, ahn, como se chamava a moça do chuveiro...? Não falha. Os malvados estão cristalizados no nosso coração, como se repetissem todo o tempo: "Eu não presto mas você me ama".

E nossa alma é toda ouvidos.

Natureza e seus momentos





Por dentro das ondas





segunda-feira, 20 de julho de 2009

Homenagem ao dia do amigo

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

OSCAR WILDE

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Post em homenagem ao dia do Rock (pouco atrasado)

Peguei do blog komikerbr.

Achei excelente essa postagem deles e passei para cá.

Kurt Cobain - El angel erratico


Kurt Cobain. El angel erratico narra de forma magistral la historia de este famoso cantante. Un recorrido que abarca desde los agradables comienzos de una infancia idilica, hasta la profunda oscuridad de su tragico final....
http://rapidshare.com/files/161320821/KurtCobain_AngelErratico.cbr

Weird tales of The Ramones


Comics originalmente publicados en los 70 y recopilados en el 2005 en un pack que tambien incluia cds y dvd. Tambien incluye detalles sobre las canciones de Ramones. Hey Ho Let's Go!
http://www.megaupload.com/dk/?d=X7T02CQS

Voodoo Child - La leyenda de Jimi Hendrix


La leyenda de Jimi Hendrix. Un excitante viaje poético como un solo de guitarra o una de sus actuaciones a corazón abierto. Un recorrido por el tiempo de Hendrix quien elevó el rock and roll a un nivel de virtuosismo técnico e innovación creativa hasta entonces desconocido. Letras de canciones, cartas, comentarios... un entramado de texto e imágenes de la mano de Bill Sienkiewicz. Esta novela gráfica fue creada y producida por Martin I. Green, con guón original de Jeff Young y fue ilustrada por el siempre magnífico Bill Sienkiewicz.
http://www.mediafire.com/?kmnmnzjgonz

Kiss - Psycho Circus


Son rockeros, son superheroes, son dioses paganos. Son los miembros del grupo Kiss que en este comic viven su experiencia más cósmica como criaturas del inframundo....BLOODY HELL!!!!!
http://rapidshare.com/files/1480099/kiss__psycho_circus_01al10.rar
http://rapidshare.com/files/1573494/kiss_psycho_circus_11.cbr
http://rapidshare.com/files/3730678/kiss_psycho_circus_12y13.rar
http://rapidshare.com/files/13194049/kiss_Pischo_Circus_14a17.rar

Cannibal Corpse


Esta es una obra casi inédita, fue lanzada por Metal Blade Récords en el año 2003 como Edición Especial.
No resta decir que las ilustraciones fueron hechas por el mismo tipo que hace los diseños de las portadas de Cannibal Corpse, Vince Locke . Este fue inspirado en el tema Unleashing The Bloodthirsty para su creación, y he acá el resultado
http://rapidshare.com/files/171576865/UTB_CC_by_ADN.rar
Pass: ABADDON CORP®

Beatles - Yellow Submarine


Comic lanzado en la epoca del Yellow Submarine!
http://rapidshare.com/files/171579402/YS_CB__by_ADN.rar

Sex Pistols


EN INGLES
http://www.megaupload.com/?d=5XEH9BEG

La ultima tentacion de Alice Cooper


Steven tiene miedo.... de las historias de fantasmas, de crecer, de la vida.... Pero cuando se cruza en su camino un misterioso personaje que esta al cargo del Teatro de lo Real, su vida cambiara completamente y se precipitara a un mundo de terror y personajes de pesadilla, del que sera imposible salir cuerdo....DEBO DECIR QUE DEBEN BAJARLO YA???... NO SOMOS DIGNOS COMO DICEN EN EL MUNDO SEGUN WAYNE!!!!
http://rapidshare.com/files/2284625/La_Ultima_Tentacion_De_Alice_Coo.cbr


Comic que sacaron en el año 1975, muy.... Pink Floyd...
http://www.megaupload.com/?d=7GSUGVIF

Garoto de programa da 3ª idade

VELHINHO SENSUAL (anúncio nos classificados)


Como tenho algumas horas livres, com insônia pela madrugada, e precisando ganhar uns extras, resolvi ser, também, um "velhinho de programa".

Idoso charmoso, com lindos olhos meio verdes (cobertos com cataratas); loiro (só dos lados); Atlético (sou torcedor); corpo malhado (pelo Vitiligo); e sarado (das doenças que já tive); e um metro e noventa (sendo mais ou menos um de altura e noventa de largura).

Atendo em motéis, residências, elevadores panorâmicos, etc. Só não atendo em drive-in por causa das dores na coluna. Alegro festa de Bodas de Ouro, convenções e excursões da Terceira Idade. Posso medir pressão, aplico injeções e troco fraldas geriátricas, tudo com o maior charme.

Atendo no atacado e no varejo. Traga suas amigas. Maiores de sessenta e cinco, por força de lei, não pagam, mas só terão direito a horário recomendável para a saúde. Serão concedidos descontos para grupos: quanto mais nova, maior o desconto.

Por questões de vaidade, não serão permitidas filmagens, pois, no momento, estou precisando operar uma hérnia inguinal, meio anti-estética.

Na cama, dou sempre três. Três opções sexuais para a parceira: mole, dobrado ou enroladinho. Como fetiche, posso usar touca de lã, pantufas e cachecóis coloridos. Outra GRAAAAAAANDE vantagem: já tenho Parkinson, o que ajuda muito nas preliminares.

TOTAL DISCRIÇÃO, pois o Alzheimer me faz esquecer tudo que fiz na noite anterior.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Excelente reflexão do Lemmy, do Motorhëad

Lemmy: "Não se engane. Já é tarde. Estamos no fim. Logo vamos ser extintos ou vamos viver em cavernas hermeticamente fechadas porque envenenamos o ar que respiramos, a água que bebemos e a comida que comemos. E não é como se não soubéssemos disso, mas as empresas quiseram mais o dinheiro do que a vida de seus filhos. Não é maravilhoso? Você pode sempre contar com a humanidade"

Bansky esteve na África

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Poema 18 - Pablo Neruda

Aqui te amo
Nos sombrios pinheiros desenreda-se o vento
a lua fosforesce sobre as águas errantes
andam dias iguais a perseguir-me.

Desperta-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata desprende-se do ocaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Sozinho.
Às vezes amanheço e até a alma está úmida.
Soa, ressoa o mar ao longe.
Este é um porto.
Aqui te amo.

Aqui te amo e em vão te oculta o horizonte
Eu continuo a amar-te entre estas frias coisas
Às vezes vão meus beijos nesses navios graves
que correm pelo mar onde nunca chegam.

Já me vejo esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os cais quando fundeia a tarde.
A minha vida cansa-se inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

O meu tédio forceja com os lentos crepúsculos.
Mas a noite aparece e começa a cantar-me
A lua faz girar a sua rodagem de sonho.

Olha-me com os teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento
querem cantar o teu nome com as folhas de arame.



Neftali Ricardo Reyes, mais conhecido pelo pseudônimo de Pablo Neruda, nasceu em Parral, a 12 de julho de 1904, e morreu em Santiago, a 23 de setembro de 1973. Filho de um ferroviário, estudou francês durante dois anos no Instituto Pedagógico da Universidade do Chile, participando ativamente da vida política estudantil.

Nomeado cônsul-geral do Chile em Rangún, na Birmânia, em 1927, Neruda continuaria sua carreira diplomática em Djacarta, Madrid (durante o período da Guerra Civil Espanhola) e México, onde foi embaixador de 1940 a 1942. Eleito senador em 1945, permaneceu exilado em Paris de 1948 a 1952. Em 1971, foi mais uma vez nomeado embaixador do Chile, agora em Paris, e recebeu o Prêmio Nobel de literatura.

Uma das minhas bandas favoritas voltou!

sábado, 11 de julho de 2009

O Assassino Terrivelmente Lento Com A Arma Extremamente Ineficiente


Um Curta metragem sensacional de humor negro independente, terrívelmente hilário.A história de um homem que se deparou com o assassino mais implacável e incansável da história.




sexta-feira, 10 de julho de 2009

A imagem do milênio - Telescópio Espacial Hubble

"Em 2003, o Telescópio Espacial Hubble fotografou a imagem do milênio, uma imagem que mostra nosso lugar no universo. Qualquer um que entende o que esta imagem representa, é permanentemente mudado por ela."

Essa foi essa frase que o autor do vídeo abaixo escolheu para lançar um dos vídeos mais bem produzidos já encontrados no YouTube.

Com certeza vai ter fazer pensar um pouco.
Principalmente se você ainda tem dúvidas sobre estarmos ou não sozinhos no universo, sobre a existência de vida extraterrestre.

Produzido pela Agência Espacial Européia e Nasa, legendado em português, este é um vídeo que você precisa assistir.




Um passeio em uma Ferrari a 300 km/h em Paris

Em agosto de 1978, o cineasta francês Claude Lelouch montou uma câmera giroscopicamente estabilizada na frente de uma Ferrari 275 GTB e convidou um amigo, piloto profissional de Formula 1, para fazer um trajeto no coração de Paris à maior velocidade que ele pudesse. A hora seria logo que o dia clareasse.
O filme só dava para 10 minutos e o trajeto era de Porte Dauphine, através o Louvre até a basílica de Sacre Coeur.
Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no trajeto.
O piloto completou o circuito em 08:40 minutos, chegando a 324 km por hora em certos momentos.
O filme mostra ele furando sinais vermelhos, quase atropelando pedestres e entrando em ruas de mão única na contra-mão. Quando mostrou o filme em público pela primeira vez, Lelouch foi preso. Ele nunca revelou o nome do piloto e o filme foi proibido, passando a circular só no underground.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Samparkour - A cidade de São Paulo vista sob a ótica do Le Parkour.

Site Oficial: www.samparkour.com.br/

Young Folks

If I told you things I did before

Told you how I used to be
Would you go along with someone like me?
If you knew my story word for word
Had all of my history
Would you go along with someone like me?

I did before and had my share
It didn't lead nowhere
I would go along with someone like you
It doesn't matter what you did
Who you were hanging with
We could stick around and see this night through

And we don't care about the young folks
Talkin' 'bout the young style
And we don't care about the old folks
Talkin' 'bout the old style too
And we don't care about their own faults
Talkin' 'bout our own style
All we care 'bout is talking
Talking only me and you

Usually when things has gone this far
People tend to disappear
No one will surprise me unless you do

I can tell there's something goin' on
Hours seem to disappear
Everyone is leaving I'm still with you

It doesn't matter what we do
Where we are going to
We can stick around and see this night through

And we don't care about the young folks
Talkin' 'bout the young style
And we don't care about the old folks
Talkin' 'bout the old style too
And we don't care about their own faults
Talkin' 'bout our own style
All we care 'bout is talking
Talking only me and you

And we don't care about the young folks
Talkin' 'bout the young style
And we don't care about the old folks
Talkin' 'bout the old style too
And we don't care about their own faults
Talkin' 'bout our own style
All we care 'bout is talking
Talking only me and you
Talking only me and you

Talking only me and you
Talking only me and you


Peter Bjorn and John

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O futebol visto por um índio

Uma introdução aos mistérios do futebol

Pelo cacique Pirangatinga
Traduzido do tupi por Mário Corso

Publicado na Revista Norte – cultura no sul do mundo, na edição número 4, de maio e junho de 2008.

Site da revista: http://www.revistanorte.com.br

Não poderia voltar ao alto Xingu sem dedicar umas páginas a esse estranho ritual do homem branco chamado futebol.

Existe em pindorama um sem número de grupos, chamados times, que usam panos coloridos e são muito amados pelos seus parentes. Essas cores parece ser o único traço que os diferencia entre si. Embora existam muitos grupos oponentes, os embates são sempre entre dois, a cada vez, talvez por isso não teçam alianças. Soube que antigamente essa luta só acontecia nos dias sagrados, em que não se trabalha, enquanto o sol já se declina, mas devido à popularidade, foi estendido a certos dias profanos, porém quando a noite já está alta.

O palco do embate é uma grande praça de guerra cercada. O lugar é espaçoso, barulhento e um pouco perigoso. Apesar disso, um aviso: não leve seu tacape, porque ele pode ser, como foi o meu, confiscado. O tacape nessa praça só pode ser usado por uns poucos, que não sei de que lado estão. O fato é que eles se prevalecem do tacape (curto e preto, mas sabe doer se acerta), mandam e apalpam a todos que entram, quando não descem o tacape nuns que eles não gostam. Embora tenha ido prestigiar o acontecimento, tive que pagar o equivalente a umas três ou quatro galinhas para entrar.

Os guerreiros não se pintam para o embate, usam roupas rituais com as cores, já os seus parentes que assistem sim estão pintados. Os parentes dos guerreiros são separados em lados opostos e vigiados pelos brancos de tacape preto. Tudo é muito bem cuidado, por isso não entendo porque deixam crescer capim justamente no lugar principal, cujo tamanho é de uma aldeia pequena. Cada time tem um número grande de combatentes, mas brigam alguns apenas e com certo equilíbrio entre os dois lados (é difícil contá-los, eles correm, mas não são mais que duas mãos de guerreiros para cada lado).

Os parentes sofrem bastante, pois lhe é vedado participar, nem ao menos uma simples pedrada é permitido, tampouco podem se enfrentar com os parentes do outro grupo. Se quiserem muito brigar só poderão fazer com os do tacape preto, coisa que não recomendo, pois além de serem muito organizados, unidos e vingativos, geralmente estão com seus cães. São eles que mandam em tudo, mas não fazem direito o trabalho, pois deixam entrar mulheres numa praça de guerra...

O mais difícil de entender é o motivo do embate. Correm como loucos atrás de uma bola clara de tamanho pouco menor que uma jaca, pouco maior que um côco. É proibido tocar nela com a mão, salvo dois protegidos do cacique da partida que ainda por cima não precisam correr como os outros. Mas o feitiço da bola não explica muito, pois são volúveis e não raro, a abandonam. Por exemplo, às vezes a bola é chutada para longe e é substituída, sem cerimônia, por outra parecida, e igual, ela os enfeitiça. Tampouco a defesa do território pode explicar o motivo da briga, pois quando eles cansam, descansam, mas depois voltam do lado oposto daquele que tão aguerridamente pareciam defender. E note bem, os parentes que assistem não trocam de lugar.

Cada guerreiro pode caçar e derrubar o oponente a patadas, mas observe: só se ele estiver em posse da bola, por isso ela me parece tão importante. Se um guerreiro caçar um adversário sem a presença por perto da dita bola, por mais bem e extraordinário que seja o coice (mesmo que não haja dúvidas que o oponente foi ao chão com sofrimento), ao invés de ter a bravura premiada, ele será excluído do embate.

Depois de derrubado o oponente chega a vez da vingança: os ofendidos chutam a bola na direção duns voluntários que se enfileiram para receber uma bolada. Acreditem, apesar da pouca distância, às vezes erram!

Creio que o mistério do objetivo final da partida pode ser elucidado se levarmos em conta uma espécie de entrada, que não leva a lugar algum, situada ao fundo de cada praça. Essa mesma entrada simbólica, ou portal mágico, na falta de uma palavra melhor, é mal tapada por redes de pesca cujo sentido me escapa, deve ser de enfeite. Pois bem, quando a bola passa por uns paus que a delimitam, ouve-se um grande ruído por toda praça de guerra, sinal que algo grave aconteceu. Os parentes se excitam e soltam paus de fogo barulhentos e malcheirosos. O grito de guerra da ocasião é “gol”, mas, mais um paradoxo, serve para ambos os combatentes.

Existe um cacique vestido de preto que manda nos dois grupos combatentes e é muito respeitado. Chama-se juiz, mas não confundir com o profissional branco de mesmo nome, que outro indígena pesquisador já chamou de “senhor que manda nos papéis”, vou chamá-lo de “senhor que manda no apito”. Já os parentes que assistem ao embate não o respeitam em nada. Por pudor, e por acreditar que não acrescentaria nada ao nosso entendimento, não farei comentários sobre o conteúdo das ofensas. Creio que esse ataque verbal ao cacique “senhor que manda no apito” possa ser um ritual de extravasamento da raiva dos tapuias nos dar pistas sobre os verdadeiros motivos de tão apaixonado ritual.

Não assisti muitos embates, mas é bom assinalar que apesar de tão encarniçada rinha os ferimentos são superficiais e não existem mortos ao final. E quando acaba, acabou. A gente volta pra casa sem comer nada, nem uma mísera cuia de cauim é servida, nada de carne, nem ao menos um passarinho magro assado se ganha.

Agradeço a Funai e Fadesp pelos facões e espelhos que permitiram minha viagem de pesquisa ao povo branco do nascente.